• Valéria Rossato

Necrobiose lipoídica – você já ouviu falar?



Essa semana tive dois casos dessa doença no consultório, então resolvi escrever um pouco sobre ela.

Antigamente o nome dessa doença era necrobiose lipoídica diabeticorum pois se pensava que ela só ocorria em pacientes diabéticos. Hoje em dia já se sabe que ela ocorre sim em pessoas não diabéticas, o que levou a mudança do seu nome para necrobiose lipoídica apenas.


É uma doença bastante rara, mesmo se considerarmos pacientes que tem diabetes (apenas 1% dos diabéticos irão desenvolver a doença), sendo mais frequente em mulheres do que em homens. A idade média de início do quadro em pessoas com diabetes é 25 anos e em pessoas sem diabetes é 46 anos.


Ainda não se sabe ao certo o que acontece no corpo para que essas lesões se formem, porém se acredita que seja devido a microangiopatia (doença nos vasinhos pequenos secundário a deposição local de glicoproteínas), o que causa um ambiente sem fluxo adequado de oxigênio na região.



O paciente se queixa do surgimento de pequenas lesões avermelhadas, rosadas ou amareladas, com superfície mais atrófica, principalmente na região da frente das pernas (mas pode ocorrer em outros locais também). Geralmente não doem nem coçam, mas esses sintomas podem existir em alguns casos. Essas lesões vão crescendo e podem surgir outras lesões semelhantes.


As lesões são bem típicas para nós, médicos dermatologistas.

Mesmo assim, é importante fazer uma biópsia no local para confirmar o diagnóstico visto que existem outras doenças, como granuloma anular ou sarcoidose por exemplo, que podem ser bem semelhantes.

Pacientes com esse diagnóstico devem manter um seguimento regular com dermatologista, além de endocrinologistas caso sejam diabéticos claro. Infelizmente não existe cura e os tratamentos não respondem tão bem. Muitas vezes a doença se estabiliza por si só e o paciente pode optar por não tratar se não quiser.


O mais importante é cuidar para não machucar o local, pois é uma região de pele muito sensível e se ocorrer alguma ferida ou ulceração, a cicatrização é ainda mais difícil. Existem vários tratamentos em forma de cremes/pomadas que podem ser tentados, como corticoides de alta potência e imunomoduladores locais. Muitas vezes pode ser sugerido tratamento com injeção de corticoide no local também, mas com muito cuidado. Alguns tratamentos de tomar também podem ser tentados, existem relatos de melhora após uso de hidroxicloroquina, clofazimina, entre outros medicamentos. Devido a enorme quantidade de tratamentos possíveis, é imprescindível que haja uma boa relação médico paciente, para que exista um seguimento adequado. Você deve tirar todas as suas dúvidas e confiar o máximo possível no médico que lhe acompanhará.

Entendido um pouco mais sobre essa doença? Qualquer dúvida estamos a disposição!

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