• Valéria Rossato

Cirurgia Micrográfica de Mohs para melanoma


Este estudo foi publicado no Jornal Americano de Dermatologia em agosto de 2019 e fala sobre o uso da técnica conhecida como Cirurgia de Mohs para casos de melanoma.

Foram analisados 562 casos de melanoma tratados com Cirurgia de Mohs em 3 instituições e 8 clínicas privadas diferentes (chamamos isso de estudo multicêntrico), todas nos EUA.

Tradicionalmente, os melanomas são tratados com excisão cirúrgica convencional, ou seja, o cirurgião retira o tumor junto com uma margem lateral de pele aparentemente saudável. O tamanho desta margem lateral depende de quão profundo as células malignas se encontram, o que é identificado na biópsia e é o que chamamos de índice de Breslow. Isso é feito por segurança, para garantir ao máximo possível que não fiquem células malignas por dentro escondidas, entendido? Entretanto, com essa técnica, sabe-se que não é possível avaliar todas as margens, ficando sempre uma chance de termos falso-negativos, ou seja, dizer que não tem mais tumor mas na verdade ter sim. Isso é algo normal na medicina, quase sempre aceitamos uma parcela de falsos negativos em todos os exames, pois é praticamente impossível alcançar uma certeza absoluta, sempre fica um risco.

Sabe-se que usando a técnica de cirurgia de Mohs, esse risco é menor, pois é possível avaliar uma porcentagem maior das margens. Para entender melhor sobre cirurgia de Mohs veja esse vídeo: http://www.mohscampinas.com.br/2018/01/02/entenda-melhor-a-cirurgia-micrografica-de-mohs/

A técnica de Mohs é tradicionalmente usada para casos de carcinomas (outro tipo de câncer de pele). Mas atualmente, principalmente nos EUA, vem surgindo muitos estudos comprovando que esta técnica também é boa e útil para casos de melanoma! Existem algumas diferenças de técnicas necessários e todo um treinamento mais especializado. Nestes casos, é necessário um corante especial chamado MART-1 por exemplo.

Neste estudo, os pesquisadores identificaram que para melanomas não invasivos no tronco e membros, é necessária uma margem de 10mm para tingir 97% de cura. Na cabeça e pescoço, a margem necessária sobe para 12mm. Existem diferenças significativas nesses valores se o tumor for recorrente, além da idade e outras comorbidades, por isso sempre converse abertamente com seu dermatologista ou cirurgião sobre as opções.

Nesta tabela eles resumem quais foram as margens necessárias para atingir o “clearance histológico”(em negrito):




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