• Valéria Rossato

Calvície - o que é e o que fazer?



A alopecia androgenética, mais conhecida como calvície, é uma doença geneticamente determinada que pode acontecer em homens e mulheres, sendo mais frequente no sexo masculino. A doença se desenvolve desde a adolescência, quando o estímulo hormonal depois da puberdade aparece e faz com que, em cada ciclo do cabelo, os fios venham progressivamente mais finos. Muitos pacientes percebem alterações apenas em idades mais avançadas como 40-50 anos, apesar de que alguns podem já perceber com idades tão jovens quanto 20 anos. A grande maioria dos pacientes não apresentam alterações nos exames de sangue.

O diagnóstico é feito por dermatologistas, através do exame físico. Homens apresentam perda de cabelos principalmente nas “entradas” e mulheres mais na parte do meio da cabeça. Com o uso do dermatoscópio, podemos ver o afinamento, o que chamamos de miniaturização. Existem vários critérios que utilizamos para confirmar o diagnóstico, mas não irei entrar em tantos detalhes...



Aqui tem um a escala onde avaliamos a gravidade de cada caso. Para homens usamos a escala de Hamilton Norwood (imagem abaixo) e para mulheres a escala de Ludwig.











O tratamento baseia-se basicamente em estimulantes do crescimento dos fios como o minoxidil e em bloqueadores hormonais. O objetivo do tratamento é estacionar o processo e recuperar parte da perda. Os bloqueadores hormonais são medicamentos via oral; nos homens, a finasterida é a mais usada. Nas mulheres, anticoncepcionais, espironolactona, ciproterona e a própria finasterida podem ser receitados.

O minoxidil deve ser usado 2x ao dia pelos homens e 1x ao dia pelas mulheres, aplicando 6 jatos e massageando. Preferir aplicar na região mais da frente do couro cabeludo, não precisa aplicar atrás. Lembrar de não aplicar logo antes de dormir para não perder produto no travesseiro (esperar 1-2h para deitar). Em sites e blogs nao médicos, vemos descritos vários efeitos adversos do minoxidil, mas isso não é uma realidade. Os efeitos colaterais mais comuns são dermatite de contato/irritativa (que podemos corrigir ajustando a fórmula como retirando o propilenoglicol) e menos frequentemente uma hipertricose paradoxal (surgir pelos onde não tinha).

Outro detalhe importante é que esse medicamento pode intensificar a queda de cabelo nos primeiros 1-2 meses, demorando 3-4 meses para começarmos a ver algum resultado. É um tratamento continuado, não pode parar por conta!

A finasterida é um inibidor da enzima que converte a testosterona na sua forma mais potente, que é a di-hidrotestosterona, o que causa uma diminuição na quantidade desse hormônio androgênico mais forte. Usamos uma dosagem mais baixa do que outros médicos usam para tratar condições como hiperplasia prostática benigna ou câncer de próstata. Importante saber que efeitos colaterais sexuais são descritos em 1,5% dos pacientes, como disfunção erétil e diminuição da libido, por isso temos que sempre conversar abertamente sobre isso. A finasterida também pode diminuir a quantidade de espermatozóides no esperma, o que resolve com a suspensão da droga. Efeitos como ginecomastia, dor testicular e depressão também já foram relatados, mas mais usualmente com doses mais altas do medicamento.

Os dois remédios que descrevi acima é o que há de melhor evidencia cientifica, porém várias novidades vem surgindo neste campo, como micro infusão de medicamentos (conhecido como MMP), uso de laser de baixa intensidade, minoxidil em comprimido, finasterida em creme/gel, transplantes capilar, etc. Uma associação de tratamentos parece ser o que traz mais resultados.


Esse é um breve resumo, me avisem se querem entender mais profundamente a doença!

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